A magia de contar

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Conheci um dia uma menina que contava tudo o que via. Contava quantas pessoas existiam no mundo.
Contava quantas pipas voavam no céu, quantos pássaros eram azuis,  quantos cachorros latiam ao entardecer.
Gostava de contar para juntar todas as informações possíveis para pensar numa maneira de construir novas alternativas.
Mas, de tanto contar, esqueceu de viver sua própria vida.
Ela sabia responder tudo o que lhe perguntassem. Só não sabia falar sobre si.
Não sabia nem que cor eram seus olhos.
Um dia,  estava distraída, fazendo a contabilidade de tudo o que tinha observado no dia anterior e se deparou com um espelho. Foi a primeira vez que verdadeiramente se viu.  E como tudo o que sabia fazer era contar, contou quantos fios de cabelo tinha. Para sua surpresa, perdeu-se na conta. Ficou aflita e voltou novamente a contar.
No meio do processo deparou-se com um pensamento perturbador: ” que diabos estou fazendo?”
Pensou logo em seguida:” já que sou boa em contar, por que não contar histórias?”
Um tempo se passou e a menina resolveu estudar um curso só sobre contas. Aprendeu a contar mais profundamente.  Ajudou várias pessoas a organizarem suas vidas e estava muito feliz com isso.
Após alguns anos deparou-se novamente com um espelho. Olhou profundamente dentro de seus olhos e o que viu mexeu com seu mundo.
Percebeu que algumas rugas haviam se instalado.  Só que isso a levou a outra constatação: o tempo!
Aquele pensamento perturbador voltou a se apresentar: ” que diabos estou fazendo?”
E, imediatamente, outro pensamento veio e ela teve certeza que havia feito a escolha certa.
“Se sou boa em contar é porque encontrei o caminho para expressar quem realmente sou.”
E com isso se viu tão grande e iluminada quanto a estrela mais brilhante no céu!
E o tempo se expandiu de uma forma que ela jamais havia imaginado.
A única coisa que conseguia fazer era agradecer.  E foi o que fez.
Nunca sentiu-se tão completa em sua vida.
E passou a contar essa magia a todas as pessoas que cruzavam seu caminho.
Cada uma delas podia sentir, nem que fosse por um instante, a beleza inimaginável da vida!

As brechas que precisam ser abertas e descobertas

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Esferas, dimensões,diversas percepções, entram e saem,
Levando-nos a experimentar ora em expansão ora em retração, o movimento da vida.
Do olhar que recebemos do outro, nasce o existir em nós.
Muitas possibilidades se apresentam.
A vida então passa a ser vivida e sentida numa explosão multicolorida.
Quantas perspectivas!
Caminhamos na tentativa de integrar todas as facetas percebidas.
Mas, se não há cor em nossa vida, orque não houve aquele olhar em nós,
O mundo torna-se monocromático, muitas vezes, apático.
Tudo o que pulsa cria o temido: dor, loucura, medo, tristeza, desmoronamento.
Mas, como somos impelidos à força do movimento,
Podemos ser tocados pela experiência do encontro com o outro,
E, com isso, resgatar a esperança, pincelar a vida cristalizada,
Abrindo brechas, tanto dentro como fora.
Movimentos voltam a ser sentidos e a vida,
A pulsar nas possibilidades criativas que nos levam ao caminho
De, novamente, integrar.

Esse texto foi criado numa troca muito rica que tive com os residentes da Unifesp no ano passado, numa breve, mas intensa experiência de supervisora.

Nota

Ontem eu e minha querida amiga Andrea Alves, também minha professora de Ioga, produzimos nosso primeiro trabalho em conjunto de muitos que virão.

Foi uma combinação muito prazerosa, criativa com pitadas de humor, pelo menos assim vivenciamos a experiência. E de fato, é isso que me importa: eu me diverti bastante. Mesmo num momento tão importante que estamos atravessando, podemos resgatar a leveza. Seriedade nada tem a ver com comprometimento consciente e verdadeiro.

Segue a produção:

Vamos pra onde?

Nesses tempos de revolução e faceopiniões vambora pra rua! Temos que mostrar pra eles que o Gigante Acordou! Nem que seja na base do viagra à R$ 0,20.

Depois de botar a boca no trombone, vambora pra festa pós passeata na Vila Mada que vai estar cheia da galera da facu.

E no whatsapp criaram um grupo: Passeata Hoje

– Oi vocês vão na passeata hoje?

– Eu vou, to pensando em levar uma garrafa de vodca e vc?

– Eu não vou porque é pacífica. Eu e meus camaradas queremos quebrar tudo! Revolução sem violência não é revolução!

– Gente, alguém sabe sobre o que é a passeata hoje?

– Não, mas o importante é estarmos lá.

– É do transporte?

– Vc já andou de ônibus?

– Não, nunca, mas sou a favor de abaixar a tarifa, a gente paga muito imposto.

– Mas o ônibus já abaixou.

– Vai ter gente bonita?

– Na passeata ou na festa?

– Se a Rede Bobo estiver lá vou gritar: Fora Bobo!

– Ah, vcs viram ontem que a Paloma descobriu que a Paulinha é filha dela?

– Ai eu vi, foi ótima ontem.

– Nosso Movimento Fora Bobo pode ser depois da Copa das ConCERVEJAções?

– Boa, será que vai ter gente vendendo cerveja lá?Assim não preciso carregar a garrafa de vodca…

– Na festa ou na passeata?

– Gente, vcs sabem pelo o que estão reinvindicando?

– Eu vou porque quero que o Brasil mude.

– A mudança vem de dentro, essa é a verdadeira Revolução.

– O Brasil já mudou, o Gigante Acordou!

– Chupa Dilma!

– Hahahaha….

– Kkkkkkk….

– Então nos vemos lá.

– Na passeata ou na festa?

Texto contemporâneo criado por: Mestra dos Magos Shavanashana e Dra Psicosábia Sábia

Ontem eu e minha querida amiga Andrea Alves,

Revolução: a cura da sociedade depende da cura do indivíduo?

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<Tenho pensado muito frente a todas as manifestações que estamos presenciando e vivenciando ultimamente, na tentativa de compreender o que está acontecendo e o que está por vir.
De fato, os brasileiros experimentaram que podem ter voz e isto me faz acreditar ser uma conquista muito importante no que se refere ao processo de tomada de consciência. Podemos questionar a forma de governar neste país porque passamos a buscar conhecer mais os atos dos nossos congressistas, assim como descobrimos uma força interna e coletiva na ação que leva à transformação. Vemos isto nas manifestações, sejam pacíficas ou não. Com mais consciência podemos perceber e sentir o mundo de outra maneira e nos posicionarmos diferentemente seja no âmbito político ou no que tange a esfera individual.
Quando me refiro ao mundo estou considerando tanto o externo quanto o interno. Uma sociedade mais justa e saudável só pode vir a nascer se os indivíduos também se tornarem saudáveis em todos os níveis existenciais: social, político, emocional e espiritual. Quando compreendemos melhor nossas emoções, sentimentos, conflitos, dificuldades, medos, expectativas, desejos e etc, podemos descobrir que nossas ações estavam sendo direcionadas para alvos, objetivos e/ou idéias mais superficiais, como a ponta de um iceberg, por exemplo, ou que estávamos trilhando caminhos que nos distanciavam ainda mais de nossos verdadeiros sonhos ou até mesmo ilusórios.
Para que haja saúde é necessária a ampliação da consciência. De nada adianta focarmos somente no externo, pois as mudanças serão superficiais e inconsistentes. Quanto mais aprofundarmos o conhecimento sobre nosso mundo interno, mais nos conheceremos e com isso passaremos a ser mais assertivos em nossas vidas. Isto diminui o sofrimento, traz uma sensação mais duradoura de paz interna, alegria de viver, calma, tranqüilidade, esperança no futuro, todos requisitos para o bem estar e saúde.
Temos ouvido nos noticiários, nas conversas das pessoas que nos circundam, bem como lemos nos comentários nas redes sociais e na mídia diversos comentários sobre prováveis mudanças, positivas ou negativas, dependendo do ponto de vista. A esquerda irá cair? A direita está por trás? Sem partido sobra o que? Todos são corruptos? A ditadura irá voltar já que estão pedindo ordem e não possuem uma liderança? O governo conseguirá apresentar propostas satisfatórias para a população, que neste momento, tornou-se intolerante a qualquer posicionamento de qualquer político?
Um movimento sem liderança tende a se perder pela falta de consistência. Traço novamente o paralelo às nossas vidas: um caminhar sem consciência nos leva à doença física, emocional e espiritual. Muitos sintomas que se apresentam em nossos corpos ou mentes são sinalizadores da não saúde (dores constantes, tristezas, insatisfações com a vida, pessoas ou trabalho, apatia, sensação de vazio, depressão, ansiedade e etc). A saúde ocorre quando mente e corpo estão integrados ou em harmonia. Uma alimentação saudável, um estilo de vida menos estressante, a realização de atividades prazerosas, o cuidado com corpo e mente seja através da análise, da ioga ou de outras atividades médicas, terapêuticas e até religiosas que promovam essa integração geram nos indivíduos transformações profundas. Na saúde acessamos uma força interna capaz de superar muitos obstáculos que há tempos atrás achávamos que jamais conseguiríamos ou que nem tínhamos consciência deles.
Cada um no seu processo de caminhar e se desenvolver na vida, mas o que eu espero é que a consciência se expanda e que venha na Revolução! Mesmo que para isso tenhamos que acessar sentimentos mais profundos e obscuros (inconscientes), incluindo a perda de referenciais mais cristalizados como crenças ilusórias e errôneas sobre tudo o que damos como certo, pois só assim nos abrimos para o novo e conseguimos criar um mundo diferente do que vivenciamos atualmente.
Cristina Ciola Fonseca
Psicóloga Clínica

ExtraOrdinário

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Deu vontade de escrever, de compartilhar ou simplesmente de comunicar. Já faz um tempo, um bom tempo que venho me abrindo a novos conceitos, filosofias e isso tem mudado muito a forma como entendo e me expresso no mundo. São anos investindo muito num mergulho pra dentro. Já visitei muitas grutas escuras, geladas, senti muito medo, mas também descobri lugares mágicos, maravilhosos, lindos, coloridos e a cada lugar escuro visitado havia uma transformação e este já não era mais tão escuro ou gelado, uma onda de calor aparecia e assim continuei a explorar, pois pude perceber essa constante manifestação da transformação gostosa, calorosa.

Ao longo do tempo as mudanças em mim foram ocorrendo lenta e gradativamente, mas nesse ano que passou algo extradiordinário aconteceu. Foi como uma explosão, como o voo de Fernão Capelo Gaivota ou como a concretização de uma imagem que eu sempre sentia e queria, mas nunca conseguia (eu constantemente me via tentando atravessar, no início um muro grosso de pedra que com o tempo se transformou numa parede de vidro, mas que mesmo assim me impedia de passar para o outro lado. Eu podia ver e sentir que havia muito mais a ser explorado, mas não podia atravessar).

De repente, percebi que estava lá, podendo caminhar, correr, voar e é o que tenho feito. É simplesmente maravilhoso, por isso extraordinário, pois sempre busquei e achei que não conseguiria e realmente não conseguia, mas conforme fui percebendo que não era utopia e muito menos ilusão, mais do que nunca desejei. Eu sei que é só mais um começo, que tenho muito a explorar e isso me fascina, me encanta, me assusta também.

Tenho vivido tantas experiências intensas, maravilhosas, desafiantes que mal da tempo de curtir a nostalgia, pois logo vem outra também interessante, intensa e transformadora. Fica um único sentimento de gratidão. Sei que estou usando bastante nesse texto a palavra transformação, mas não tenho outra para conseguir expressar tudo isso. Aliás, foi isso que me propus quando criei esse blog, a transcendência.

O que me assusta é que as vezes transbordo. Talvez seja assim mesmo no processo da integração. Para a expanção é preciso o alargamento das fronteiras, mas nem sempre tudo isso ocorre no mesmo instante, as vezes a experiência requer esse movimento e se as barreiras ainda estão duras, ela vem como a tromba dágua, sem dó nem piedade. Claro que prefiro o processo mais natural para mim, mas nem sempre acontece, ainda mais quando nos propomos ser na experiência. Não é fácil, mas é gostoso, assusta, mas dá vontade de mais. O que mais atrapalha, no meu caso, é ainda o receio do julgamento das pessoas e que sei que vem de mim e que projeto fora. Esse é um salto que falta eu alcançar de vez, eu ainda vou e volto porque dá medo de mudar radicalmente, da medo de deixar de me reconhcer, da medo de morrer e a trasformação requer a morte. Morte das velhas crenças, das barreiras que só atrapalham, do aprisionamento que herdamos e perpetuamos em nossas vidas. O problema é que nos confundimos, nos identificamos com tudo isso e, por isso, vem o medo de que vamos morrer de verdade. Isso sim é uma grande ilusão. Permanecer no conhecido realmente traz uma sensação confortável. Viver na expanção é uma montanha russa de emoções. E assim vou caminhando. Mantenho o conhecido em mim até perceber que não vou morrer e que o novo vem para me ajudar a crescer.

Que 2013 e todos os anos passados, presentes e futuros se tornem essa grande ação da consciência da vida em sua essência!

Obrigada Tatiana Russo por me acompanhar tão de perto nessa jornada! Sua maneira de conduzir a análise trouxe luz à escuridão!

Obrigada Pedro e Maria Inês por compartilharem o conhecimento que nos ajuda a encontrar o núcleo da alma! (www.nucleo.org.br)

Namastê Andrea Alves! Sinto mais e mais a integração corpo/mente/alma. (http://andreaalves.blog.br/)

Obrigada a todos meus amigos, minha família querida e a todas as pessoas que me procuram em busca da transformação!

E obrigada Clau por caminhar juntinho!

 

Abarcando minha experiência no PS

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Será somente um impulso que nos direciona a trilhar determinados caminhos ou realmente há algo de uma magnitude ainda não alcançada por mim?

De repente me vejo neste caos, lidando com questões absolutamente angustiantes como doenças e morte, amparando, construindo, tecendo conexões, pontos de reflexões, criando espaço potencializador para abarcar em todos os que compõe este cenário, inclusive eu, emoções tão profundas e reveladoras. Acredito ser a mais difícil de todas o medo: medo de não dar conta, de não sobreviver a este ambiente, de não ser capaz de mudar o continum que se apresenta e que se propaga como uma metastase descontrolada.

As vezes percebo lampejos de pensamentos conduzindo-me a divagações talvez até mais angustiantes ou não. Até que ponto não perpetuamos esta realidade? Tantas pessoas doentes, sofrendo, procuram este mundo a parte, o hospital, para receberem qualquer tipo de tratamento, para voltarem quem sabe a respirar. Psicólogos emergenciais, apagamos incendios e ainda bem que há recursos para isso, mas até que ponto apagar incendios é eficiente para quebrarmos com este ciclo apavorante da dor, da impossibilidade? Num universo gigantesco, no qual milhares de vidas chegam clamando por ajuda, só nos resta ajudar? Talvez aqui no PS sim, já que o incêndio está acontecendo. Mas como evitá-lo?

Junto a esta experiência soma-se outra absolutamente transformadora e prazerosa. Acompanhar e ajudar na formação de profissionais, integrando todas as vivências, dá um sentido e significado valioso a este caminho. Preescrever condutas humanísticas, onde mesmo no caos, duas almas podem se encontrar e sairem modificadas, contempladas em suas essências, mesmo que brevemente, faz brotar a esperança de que é possível recriarmos outras realidades num cenário doente.

Que realidade estarei recriando em mim? Sei que no tempo descobrirei, enquanto isso vou abrindo brechas em mim para não ser engolida por esse tsunami.

Por isso volto a questão incial: o que nos direciona a trilhar alguns caminhos? Por que essa necessidade de viver no limite?

A vida estava calma, gostosa, tranquila. Será este momento um degrau maior na ascenção da minha vida como um todo ou estou iludida, tentando dar um sentido para uma angústia natural decorrente da experiência?

Por enquanto continuarei trilhando… acreditando que mudanças estão ocorrendo, dentro e fora de mim.

Ernesto Neto

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Esta semana tive a oportunidade de conhecer um trabalho de um artista carioca, estremamente renomado, a partir de uma instalação feita por crianças de no máximo 6 anos, numa escola particular de São Paulo.

Fui para realizar um projeto com as professoras e acabei surpreendida pela arte viva no pátio da escola. Uma instalação interativa onde os objetos podem ser tocados e sentidos. Numa outra escala, a mesma proposta que estou vivenciando nesta escola a partir de um trabalho que promove encontros interativos.

Fiquei tão feliz e emocionada e pensei como seria se eu tivesse tido a oportunidade de me descobrir numa escola assim. Que bom que nasceu essa parceria!

Em homenagem ao trabalho fantástico da professora de artes, da proposta pedagógica, da criação dos alunos e deste artista fantástico,  segue alguns trabalhos de Ernesto Neto.

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